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segunda-feira, 16 de julho de 2012

10 anos do último disco de inéditas do Ultraje a Rigor. Não poderia vir mais?

No mesmo dia em que o Marcos publicou aqui no blog um texto recomendando o Ultraje a Rigor vs. Raimundos, apareceu no meu Facebook uma minipolêmica envolvendo o Ultraje. Pelo que entendi, o Danilo Gentili fez em seu programa na Band uma piada criticando o filme E Aí... Comeu? (que eu vi - é legal, vale pra quem for assistir sem esperar nada genial) que deixou o Bruno Mazzeo, um dos protagonistas, chateado. Logo depois de reclamar "de forma bem humorada" da tal crítica em seu Facebook, ele emendou: "No Dia do Rock, fico pensando no Ultraje a Rigor, uma das bandas preferidas da minha juventude, vivendo um fim de carreira dramático...". Referia-se ao emprego fixo atual do Ultraje como banda de apoio do programa de Gentili. Foi a vez de Roger devolver, também via Facebook, avisando que seu novo disco é hoje o mais vendido no ITunes brasileiro, mesmo antes de ter sido lançado.

Polêmica virtual à parte, eu também bem que gostaria que a carreira do Ultraje a Rigor - uma das minhas bandas preferidas - tivesse hoje um outro ritmo. Não pela participação fixa no Agora É Tarde (que eu acho que poderia render bem mais, embora o programa até tenha seus momentos divertidos). O lance é que, por mais que eu entenda que Roger deu à sua carreira o ritmo que escolheu e que tem todo o direito de fazê-lo, gostaria de ver o cara reunindo disposição para fazer coisas novas.

Ultraje a Rigor vs. Raimundos, no fim, foi um espaço para que cada banda prestasse à outra uma homenagem pelos seus bons tempos passados. O Raimundos, na verdade, não pode mesmo ir muito além disso; Rodolfo era a maior força criativa da banda e, desde sua saída, os demais nunca criaram algo que chamasse a atenção. Hoje em dia Digão até evoluiu bastante nos vocais e parece que a agenda anda cheia de shows que costumam ser lotados, mas a banda existe basicamente como um tributo a si mesma. É justo, mas acho que é só o que pode ser mesmo.

Já no caso do Ultraje, eu realmente acredito que poderia sair algum coelho ainda daquele mato, se Roger - que praticamente é a banda - entrasse numa. Tá certo, lá se vão 10 anos do lançamento do último disco de inéditas deles, mas Os Invisíveis merecia ter sido mais ouvido.



Não, não é do nível do ultraclássico Nós vamos invadir sua praia, mas como poderia ser? Os Invisíveis cumpriu seu papel como um disco de personalidade própria, no qual a banda não tentou simplesmente repetir fórmulas que tinham dado certo antes. Tem alguma coisa do punk/hardcore que fazia sucesso entre os mais jovens fãs de rock da época e não acerta em todas. Mas manda bem principalmente quando aposta na surf music, inclusive em duas músicas instrumentais bem bacanas. Rola ainda um ska bacana, I'm sorry, uma nova versão para a Miss Simpatia que Roger havia entregue antes aos Autoramas e Me dá um olá, que tem sacadinhas divertidas na letra e na época andou até em trilha de novela. Não deve dar mais pra achar por aí vendendo em lojas e desconfio que nem download pago role por vias legais, mas vale baixar.



Os Invisíveis saiu no já longínquo ano de 2002. De lá pra cá, o Ultraje lançou um bom acústico que tinha uma inédita do Roger e "soltou na rede" outras três músicas em 2010, sem muita pretensão. É pouco! Li recentemente um livro sobre a história da banda em que Roger diz ter muitas dúvidas sobre ainda ter algo relevante a dizer de novo; mas, da última vez em que tentou pra valer foi bem sucedido - ao menos para o meu gosto. Podia deixar de lado sua preguiça gigantesca e tentar outra vez.

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