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segunda-feira, 2 de julho de 2012

AllenTur promove pacotes de viagem para a Itália

Para Roma, com Amor | To Rome with love (EUA, 2012)
De Woody Allen, com Woody Allen, Fabio Armiliato, Roberto Benigni, Jesse Eisenberg, Ellen Page, Alec Baldwin, Alessandro Tiberi, Alessandra Mastronardi e Penélope Cruz


Durante longos anos, Woody Allen foi conhecido por filmar sempre em sua Nova York. A partir de 2005, começou a aproveitar os encantos europeus em seu trabalho, filmando em Londres Match Point e Scoop. Mas foi a partir de Vicky Cristina Barcelona que ele e os responsáveis pelo setor de turismo na administração de algumas cidades começaram a perceber que usar determinado local como cenário para uma história sua pode atrair viajantes para lá.

(Não à toa, a prefeitura do Rio vem negociando para transformar nossa Cidade Maravilhosa em locação para ele - imagino que sediar Rio +20, Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas, fora aquela animação Rio e o tal título de patrimônio da humanidade dado pela ONU, não seja mesmo o bastante. Talvez seja o caso de começar a pensar menos neste tipo de coisa e mais em preparar a cidade para efetivamente receber bem quem resolver nos visitar.)

O problema nisso aí é se Allen deixar o nível cair, fazendo filmes que se justifiquem apenas como peças publicitárias para as prefeituras que contribuem com seu orçamento de produção. Ainda não foi o que aconteceu com Para Roma, com amor, que estreou sexta nos cinemas daqui - mas ele se aproximou perigosamente da linha.



Não que não seja divertido. Tem situações bastante engraçadas, um elenco bacana com Penélope Cruz, Jesse Eisenberg e Roberto Benigni, o próprio Allen bem atuando novamente na frente das câmeras e um humor meio non-sense que não andava muito presente em seu trabalho faz tempo, mas lembra um pouco alguns filmes seus mais antigos. Em três das tramas, lida de alguma forma com o tema do sucesso e da fama e como artistas, público e mídia lidam com isso. É legal.

Mas ele escolheu um caminho mais fácil ao ocupar os seus 102 minutos com várias historinhas diferentes que nem mesmo acabam se cruzando em algum momento, fazendo com que não precise se aprofundar tanto em nenhuma delas ou em qualquer dos muitos personagens. A coisa então corre sempre bem leve, o que tem seu lado bom e seu lado não tão bom assim. E a preocupação em ocupar a tela sempre com imagens belas e convidativas dos melhores pontos da cidade é tão clara que o filme termina com um sujeito virando para a câmera e basicamente convidando o espectador a transformar-se em mais um turista em Roma, como se estivesse mesmo em um anúncio - faltou apenas acabar com a assinatura da Secretaria de Turismo local.

2 comentários:

Francine Albernaz disse...

Vc não está sozinho: http://registrodissonante.blogspot.com.br/2012/07/para-roma-com-amor.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+RegistroDissonante+(Registro+Dissonante)

Eu ainda não vi o filme, não posso dar pitaco.

André Monnerat disse...

Eu tinha lido! Gosto desse blog.