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quinta-feira, 2 de julho de 2009

Coisas pequenas

Eu sei, é um verdadeiro dom
saber dizer o que é tanto e o que é apenas
Mas acredite quando eu digo: não é bom
tornar grandes coisas que são só pequenas

Pois um dia você vai olhar pra trás
e perceber que simplesmente não valeu a pena
Eis o conselho, siga então se for capaz:
coisas pequenas, são só coisas pequenas

Este tempo que todos gastamos com
preocupações com coisas menos que terrenas
vale mais até que amizade com garçom
e nem me venha com prêmio de Mega-Sena

Pois um dia você vai olhar pra trás
e perceber que simplesmente não valeu a pena
Eu repito, pois nunca é demais:
coisas pequenas são só coisas pequenas


* * * * * * * * * * * * *

Como contei aqui pra vocês, um dos períodos mais produtivos do meu dia é o tempo que passo dentro de ônibus - em especial para a leitura. E como hoje em dia moro em Botafogo e trabalho na Barra, tem dado pra ler bastante ultimamente.

Depois do Música, ídolos e poder, passei ao A segunda vez que te conheci, de Marcelo Rubens Paiva. Um livro inspirador para quem trabalha com comunicação, e especialmente propício a este momento pós-queda da exigência do diploma de jornalismo para se exercer a profissão. A história é de um jornalista que perde o emprego e encontra um novo e feliz caminho para sua vida como cafetão, agenciando meninas e montando um lucrativo negócio na Internet. A leitura é fácil e a trama cria situações bem interessantes. Imagino que os percalços que o autor colocou no fim da trama para o protagonista tenham a intenção deliberada de não começar a causar uma invasão do mercado de sexo pago por ex-jornalistas.

Deste, passei para 1984, de George Orwell, preenchendo uma lacuna que ainda havia em minha formação (há ainda várias outras; não vi até hoje Cidadão Kane, por exemplo). O livro é um clássico, e você lendo entende o porquê. Há todo o lado da crítica política sobre o totalitarismo, a centralização do poder, manipulação de informações, interesses em manter a massa deseducada e tudo o mais. Mas há também um texto muito bem escrito, que consegue te envolver com a angústia causada pelo mundo terrível que ele cria para o futuro da época (1984 foi escrito em 1948...) - e que, devo dizer, comecei a enxergar em pequenos pedaços à minha volta uma porção de vezes durante a leitura. Claro que não dá pra falar do livro sem falar do seu grande legado para a nossa civilização: inspirou o nome do Big Brother. É o auge.

Agora, pra aliviar um pouco, estou relendo O Cavaleiro das Trevas - a clássica HQ do Batman escrita por Frank Miller. O exemplar que tenho em mãos foi encontrado em estado bem mazoumenos nas escadarias do prédio em que morava; se não fosse isso, provavelmente nunca teria lido a história, pois nunca fui grande fã do personagem (de super-heróis, só acompanhei em quadrinhos quando garoto o Homem-Aranha). Ainda bem que aconteceu, pois é muito bom (e não é a história do filme recente do Homem-Morcego). Conhecemos um Batman retornando da aposentadoria já perto dos 60 anos numa Gotham caótica, uma menina que vira fã ao vê-lo em ação e acaba se tornando o novo Robin, uma comissária que solta uma ordem de prisão contra ele e um Super-Homem que se tornou marionete e arma de guerra nas mãos de um presidente dos Estados Unidos obviamente inspirado em Ronald Reagan. Tudo com uma arte simplesmente sensacional.

Não vai demorar muito pra acabar. Tenho já que ir escolhendo qual vai ser o próximo livro da fila.

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