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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Plim Plim


É claro que o lugar-comum é criticar "tv aberta", em especial a Globo - Faustão, novela, Big Bróder, Galvão Bueno. É fato, tem muita porcaria. Mas, se você olhar direito, até que há espaço pra coisas boas por lá. Espaço não tão nobre, é verdade, mas espaço.
Ontem assisti ao Profissão: Repórter sobre a situação em Santa Catarina. A gente tem ouvido falar muito do que anda acontecendo por lá e tá todo mundo se mobilizando pra ajudar, de clubes de futebol a blogueiros; mas não tinha visto ainda nada na TV que mostrasse tão bem como as coisas realmente estão. Foram cenas do povo levando tudo o que podiam do supermercado - até prateleiras e os computadores dos caixas - e ainda revirando a lama atrás de algo perdido que se salvasse; o garoto que está morando sozinho na casa da família, ainda alagada, sem água ou luz, só pra impedir que alguém saqueie o que sobrou; as pessoas sendo removidas de abrigo pra abrigo pra abrigo, à medida que eles vão se mostrando também lugares arriscados.

O programa, que passa às terças lá pra meia-noite e tem Caco Barcellos liderando um grupo de repórteres novos e desconhecidos, é tudo o que o Globo Repórter deveria ser: pautas interessantes, enfoques inesperados, bons personagens. Já vi outras edições interessantes, como a sobre jogo (campeonatos de pôquer, gente que atravessa a fronteira pra ir em cassinos, viciados em bingo) e a que falava do mercado do sexo (em que chamou atenção a vida de uma prostituta paulista na casa dos 70 anos, vovozinha mesmo). Porém, o programa apresentado por Sérgio Chapelin em um estúdio virtual, sempre sobre dicas de alimentação ou sobre um "paraíso natural escondido no centro do Brasil", continua tendo o melhor horário.
Há mais coisas boas escondidas pela grade da Globo. O Altas Horas é legal, com convidados interessantes, gente tocando ao vivo e um formato muito melhor do que o dos programas de auditório que ocupam as tardes de qualquer canal. O Som Brasil tem juntado nomes novos, como Móveis ou Vanguart, a outros consagrados tocando sem playback em homenagens a "grandes nomes da MPB" (em um formato meio copiado de um programa inglês, mas o que não é cópia do que vem de fora na TV hoje em dia?). O Por toda a minha vida é meio esquisito na parte de dramaturgia, mas é legal por contar a história de personagens importantes da história musical do Brasil e trazer imagens de arquivo bem maneiras - na verdade, só vi o de Nara Leão, que foi muito bom.
O problema maior é mesmo que todos esses programas passam em dias e horas em que você ou está dormindo ou bebendo por aí. Mas eles têm sido espertos em dar também janelas na TV por assinatura pra parte das coisas legais que passam primeiro na aberta. O Multishow tem passado o Som Brasil e o Altas Horas em horários melhores, por exemplo - numa boa estratégia que também colocou o Os Normais em reprise na GNT.

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